quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eu leio, eu sou Ana Carolina

A segunda participação da coluna Eu leio, eu sou... traz uma jovem menina cheia de amor pelos livros e muitas opiniões.

Adorei a participação da Ana! Apesar de ter apenas 17 anos, ela mostrou ter muita personalidade e tenho certeza que ainda vamos ver seu nome na capa de livros.

Não esquecendo, para participar, basta apenas seguir o blog e preencher o formulário.




 

PERFIL


1. Nome completo: Ana Carolina Nonato

2. Idade (ou não): 17 anos

3. Estudante? De quê? Trabalha? Em quê?
Sim, de ensino médio. No momento, não trabalho.

4. Você se considera um (a) leitor (a) ...
viciada em livros, que lê diversos por semana.

5. O que você costuma ler?
Eu gosto de ler ficção, reportagem, romances, sendo eles em papel ou e-book. Não gosto de romance sobrenatural.

6. De que modo você lê?
Eu leio fazendo várias coisas ao mesmo tempo, e leio muitos livros no mesmo período. Resumo o livro umas duas semanas após a leitura, para que a euforia ou a decepção com a história abaixe e eu possa fazer uma crítica racional.

7. Ziraldo tem uma frase que diz: “Ler é mais importante do que estudar.” Você concorda com esta frase?
De jeito nenhum! Acho que ambos são importantes. Aliás, não dá para separá-los, pois uma linha tênue o faz. Quantos livros você já leu que te fizeram estudar algo para se aprofundar? E o estudo também não requer leitura?

8. Qual a influência da leitura/livros na sua vida pessoal/profissional?
Na minha vida pessoal, é o meu momento mais sagrado e diário, não abro mão por nada. Profissionalmente, isto pode me levar a alguma profissão do ramo, mas não tenho nada certo.

9. Quando as pessoas perguntam “Por que você lê tanto?” ou “Para que tantos livros?”, o que você responde?
Porque eu devoro livros desde os cinco anos de idade. É como uma droga (do bem): quanto mais você lê, mais você quer ler.

10. Você escreve?
Sim! Eu tenho um livro escrito em processo de revisão. É uma experiência fantástica... Poder colocar suas palavras, contar uma história, decidir rumos. É uma baita duma responsabilidade.

11. Qual sua opinião sobre:
- educação brasileira
O problema em geral na educação brasileira, a meu ver, é o fato de alguns pais acreditarem que o dever de educar para tudo na vida é somente dos professores, o que não é verdade; acarretando uma falta de respeito por parte desses alunos que não aceitam a represália, já que os que estão “educando” não tem nenhum direito legal de fazerem isso. Outro ponto importante é a progressão automática. Concordo que a repetência faça muitos alunos desistirem da escola, mas a progressão acaba tornando esses alunos, quando adultos, incapacitados com um diploma na mão.

- literatura de modo geral
Nós temos uma ótima literatura, se você pegar exemplos antigos e até alguns atuais. Com o que sou veemente contra e que acontece com freqüência é o fato de algumas pessoas tornarem seus livros como manuais de sua vida! Elas transcrevem os personagens para si, e vivem em um mundo perfeito, porém disperso do mundo real. Fecham os olhos para as situações que merecem a atenção e vivem a “utopia”, se assim posso dizer. É por isso que muitos dos livros são denominados “ficção”; se fossem manuais, seriam denominados de auto-ajuda, e se fossem reais, de livro reportagem. Os livros podem trazer muitas coisas boas, mas não podem ser seu guia na vida.

- mercado editorial brasileiro
Temos muitos escritores nacionais bons, novas editoras aparecendo... e valorizando literatura estrangeira. Complicado, não? Enquanto autores nacionais capengam por uma publicação, autores internacionais que nem sequer sabem que o nosso país existe lucram horrores com isso. Vivemos um momento crítico e de pouca valorização da cultura nacional (que, apesar de lenta, aparece aos poucos).

- bibliotecas
Creio que as bibliotecas são algo fundamental em qualquer cidade; há uns anos o governo tem feito alguns investimentos para implantação delas, e isso já é um começo. O problema é que algumas são muito mal administradas, limpas, cuidadas e organizadas. Seria preciso fazer uma reforma (não só de estrutura de prédio, mas no sistema interno da biblioteca) para que essas fossem um pouco melhores.

- leitura/leitores
O Brasil ainda não tem uma herança de leitura muito grande e/ou antiga, mas estou confiante. O número de leitores aumenta cada vez mais – sei que muito disso é por causa dos romances fantásticos (dos quais não gosto, porém não deixo de lhes reconhecer o mérito). Para que isto melhore os leitores devem procurar outras literaturas, explorar linhas geniais escritas agora ou no passado. Não digo leituras melhores – até por que é uma questão de opinião.

12. No livro Fahrenheit 451, as pessoas escolhem um livro para decorar e contar suas histórias. Depois passam a ser chamadas e conhecidas pelo nome do livro. Se você tivesse que escolher um livro para decorar e ser esse livro, qual seria?
Seria Dom Casmurro. É estranho, mas eu tenho a mania de não prestar atenção em algumas pessoas de repente – caio sempre nos fascínios de uma reclusão em minha própria mente e por isso posso receber diversos apelidos, desde alienada até lady (por causa do “ar altivo”). Outro ponto importante é que sou desconfiada de tudo, não tenho sossego em um relacionamento. A pessoa pode me provar que é inocente: não dará certo mesmo assim, rs.

ENTREVISTA

1. Como você administra seu tempo para poder ler?
Como agora meu tempo é muito fragmentado devido a diversos compromissos, eu o divido da seguinte forma: separo, no mínimo cinco livros, para a leitura em sete dias (dependendo do livro, isto equivale a umas 45 páginas), fazendo com que eu possa ler nesses intervalos, e também que possa ler muitos livros mais.

2. Você sente algum tipo de diferença ou dificuldade quando lê em e-book?
Nenhuma! Baixava muitas obras do Domínio Público desde 2005, na época com dez anos, acho que acostumei.

3. Acho muito legal fazer resumos depois da leitura. Como você já tinha um processo de escrever sobre o que lia, isso te motivou a fazer um blog e compartilhar suas leituras?
Sim! Eu lia muitos blogs, mas não tinha tempo hábil para criar um também. Foram os desafios que mais me motivaram (o nome do blog é por causa disso).

4. Você já tem alguma idéia da profissão que pretende seguir?
Ainda não. Acho que vou acabar indo na sorte: primeiro passo nas faculdades em que tenho interesse, depois decido a profissão. Se não me agradar, parto para outra!

5. Como foi o começo da sua vida como leitora?
Desde pequena os livros me chamam a atenção. Meus pais contam que quando iam à farmácia comprar algum remédio ou fraldas para mim, eu sempre pegava um livrinho de madeira na mão. Creio que a amizade entre mim e os livros é bem mais antiga do que me recordo.

6. Sobre o que é o livro que você escreveu? Pode contar um pouquinho?
Bom, eu não gosto do rumo que algumas coisas tomam, por isso a maioria dos textos que escrevo é crítica, com ironias. O livro não é diferente. Primordialmente, seria uma crítica às pessoas que tomam os livros como manuais de vida (deu para perceber que eu odeio isso, não? rs), mas também tenho uma vertente feminista e pode ser que este livro faça parte de uma trilogia. Como muitas pessoas gostam de cenas de “amor”, vou colocar um trechinho antigo do livro. É antigo porque já mudei muita coisa, está bem melhor escrito (eu garanto!rs):

“− Espere, Clara. − puxou-me pelo braço e me forçou a olhá-lo nos olhos. − Estamos assim desde o ocorrido na sala. Eu não quero que na nossa amizade haja essa tensão, ok?

Nervosa, passei a língua nos lábios, depois me arrependi. James acompanhou o movimento com os olhos, depois não os desgrudou de minha boca.

− Clara... − sua voz havia ficado um tom abaixo, sensual. Ele me olhou, suplicando por uma solução.

Mas eu também não sabia o que fazer. Estava tão perdida quanto ele!

− Ja-James, eu... − não tive tempo de falar mais nada. James me puxou pela cintura e colocou seus lábios nos meus.

Foi como jogar açúcar numa panela fervente. Eu me derreti completamente em seus braços, que me aninhavam calorosamente. Subi minhas mãos até seus cabelos e o puxei mais para perto, queria sentir por completo o sabor daquele beijo. Fogos de artifício dançavam em minhas pálpebras, enquanto nossas línguas se roçavam, num ritmo combinado.

A boca de James tinha um sabor inigualável. Eu já havia beijado outros garotos antes, inclusive alguns bem experientes no quesito beijo, mas comparado a esse, os outros não passavam de um breve roçar de lábios. Eu precisava perguntar algum dia onde James havia aprendido a beijar tão bem...

Meus pensamentos foram interrompidos por mais uma investida desesperada de sua boca ao encontro da minha. Eu sabia que estava perdendo a lógica,estava deixando ele ganhar meu coração...

Finalmente o ar nos faltou, e acabamos nos separando. Eu jurava que pensei que aquele beijo duraria para sempre. Mas nada dura para sempre, nada.

Não estava pronta para encarar meu amigo, não ainda. Virei e saí correndo o mais rápido que podia, sem me importar com James gritando atrás de mim.”

7. Quais os livros que marcaram sua formação?
Laranja Mecânica, pois inspirou essa veia crítica em mim; Volta ao mundo em 52 histórias, que foi o livro que me viciou para sempre neste universo incrível; e por que não dizer Crepúsculo, por ter feito com que eu não quisesse nunca mais ler qualquer livro desse tipo de literatura (eu disse que era crítica, rs).

8. Esses livros que são tomados como “manuais”, você tem algum exemplo de um título com o qual isso tenha acontecido?
Eu vou citar um exemplo, mas existem outros mais assim (acreditem, hoje eu não gosto desse tipo de literatura, mas dos meus 9 aos 14 anos eu li mais de mil livros do assunto): chama A Pregnante Proposal, da série Amigas de Escritório (escrito por Elizabeth Harbison). Conta a história de uma mulher que é traída pelo namorado, e descobre que ele morreu com a amante. Além disso, está grávida (muito previsível, perdoem-me). Então, o colega de escritório dela, rico e charmoso (para variar só um pouco) decide assumir a paternidade da criança. Quantas meninas que lêem este tipo de livro não ficam imaginando que quando estiverem num apuro deste um homem rico chegará e as salvará do infortúnio? É só um exemplo, mas 99% dos livros só têm salvadores ricos, muitos deles arrogantes. Quantas mulheres acham que isso é somente “amor” por parte do parceiro (devido a este tipo de leitura) e agüentam maus tratos caladas? Só um exemplo: Eu conheço apenas um livro em que o cara era pobre – ainda que de mentira. Um, entre mais de mil que eu já li! E quantos são ricos no mundo? E quantas garotas guiam suas vidas nesse sentido, achando que serão as sorteadas num mar de mulheres? Desculpe ter falado tanto.

9. Você acha que livros como Dom Casmurro, Senhora e outros clássicos da Literatura brasileira tem que ser retirados do currículo escolar por serem considerados os culpados por muita gente não gostar de ler?
Eu creio que eles devam fazer parte do currículo sim, mas que façam parte de uma lista de incentivo à leitura. Creio que cada idade tem um livro bom para ser lido, e esses devem fazer parte do cotidiano dos mais velhos. Não creio que a culpa seja deles, mas sim da má distribuição de obras literárias “obrigatórias” de acordo com as faixas etárias.


Muito obrigada, Ana! Adorei!!
E então gostaram? Acharam alguma resposta polêmica? Concordam com as opiniões? Deixe seu comentário.



8 comentários:

  1. ANA DIVA! Õ/

    Achei legal essa última resposta, além da postura dela a respeito dos livros tomados como manuais de vida. Acho que agora eu entendi um pouco da birra dela com chick-lits... E concordo, em termos.

    Os livros clássicos nas escolas têm que ser mantidos sim, justamente como ela disse, mais para os alunos mais velhos. Conheço muitos colegas que justificam seu desamor para com os livros por causa dessas más experiências. Mas alguma coisa me diz que esse preconceito impede-os de amadurecer na leitura: veja só, obras gregas como Medeia e Lisístrata, que apesar de sua forma original ser de peça teatral, não nos trazem dificuldades na leitura. E Noite na Taverna, que sendo um conjunto de contos góticos, trazem aquele prazer causado pelo suspense e até pelo humor. E o Dom Casmurro, como foi citado. Aloooô! Odeio quando dizem que são livros ruins e difíceis de ler. Quem diz isso e é a favor da extinção desses livros nas escolas tem preguiça de raciocinar - o que é revoltante.
    A pessoa que não gosta de ler não gosta de ler e pronto. Não vai ser um clássico que vai mudar ou não isso. Leitor de verdade lê e critica, e não critica e não lê.

    Pode procurar: aqueles que começaram a ler a partir de livros como Harry Potter e Crepúsculo quase sempre não gostam de outra coisa senão livros assim: com a linguagem bem popular, de fácil acesso e que não exigem muito de quem lê.

    Caramba, Ana, você despertou o monstro raivoso leitor que existe em mim! xD

    Dri, achei que você conduziu a entrevista muito bem. Amei!

    Miriam.
    http://bookerqueen.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Adorei conhecer um pouco da Ana,ela é decidida e inteligente. São poucas as leitoras desta idade que não gostam do estilo suspense, e que tem opinião tão original a respeito do Clássico no ensino de Literatura, já que além de ser um assunto polêmico é descriminado pelos estudantes.Parabéns Ana, por sua entrevista e parabéns Dri pelo post.

    ResponderExcluir
  3. Muito legal o perfil e a entrevista. Apesar da pouca idade, Ana mostrou ser uma garota de conteúdo, esperta e atenta. Parabéns pela coluna. Beijos.

    ResponderExcluir
  4. Olha quem está aqui? rs.
    Desculpe a demora! Ontem eu fui a um workshop de cinema e fiquei o dia todo fora, mas cá estou eu para agradecer tantas opiniões que me deixaram lisonjeadíssima!
    Miriam, adorei o DIVA! rs. E fico muito feliz de ter despertado o monstro da literatura em você (graaaur), rs, pois é assim que boas críticas nascem, não é mesmo! Concordo com o que você disse. Literatura não pode ser algo imposto, tem que fluir. E também fico feliz por saber que você entendeu a minha birra com os Chick-Lits da vida!
    Mônica, muito obrigada pelos elogios! Fiquei lisonjeada! Eu posso dizer que amadureci, e isso me fez um bem danado (apesar de ter sido sofrido chegar ao pensamento que tenho hoje). Quanto ao ensino de literatura, como grande amante dos livros, creio que a não possa ser algo forçado, porque traz mais sofrimento do que alegria. Como dito em De Volta Ao Admirável Mundo Novo, de George Orwell: a imposição traz mais resultados negativos do que positivos, enquanto o reforço (sugestão) do que é bom e agradável traz resultados muito melhores.
    Cecilia, que bom que gostou de minha entrevista! Por causa da minha pouca idade, muitas pessoas acham que não tenho capacidade de ter uma posição reflexiva forte. Será que consegui provar o contrário?

    Ah, e só pra constar: eu não gosto de romances sobrenaturais com mocinhas sem sal, ou seja, a mistura de chick-lit com romance sobrenatural. Se não gostasse do mundo da fantasia (que por acaso gosto MUITO), não leria Stephen King, Edgar Allan Poe e Tolkien, concordam?

    Agradeço demais à Dri pela oportunidade e aos comentários! Peço desculpas pela demora.

    Abraços e até mais!

    ResponderExcluir
  5. Ei Dri!
    Parabéns pela entrevista com a Ana (que é uma fofa!!!).

    Menina, vc tem só 17 anos msm?
    Acredito não!!! Vc parece muito mais madura que isto.
    Adorei suas respostas, vc é sempre muito coerente e direta.

    Bjins garotas.
    Ps.: ADORO chick-lit..kkk

    ResponderExcluir
  6. Muito legal a entrevista :P
    Parabéns

    ResponderExcluir
  7. A Ana é linda mesmo. *-*

    Adorei ver ela aqui. Também adorei o blog, muito lindo!!

    Beijinhos, Babi

    www.a-viajante-dos-livros.blogspot.com

    ResponderExcluir
  8. Que blog lindo, adorei. O engraçado é que as pessoas que gostam de ler geralmente têm o mesmo perfil. Adorei seu blog Dri, tô estudando pro vestibular no fim do ano e penso muito em escolher biblioteconomia, o problema é minha rinite nos estágios em sebo =/, enfim, blog lindo, vou vir aqui sempre ver as novidades. Beijo.

    ResponderExcluir

Olá!

Muito obrigada por visitar o blog.
Espero que você tenha gostado.
O seu comentário será muito bem-vindo.